AVALIAÇÃO ESPACIAL DA QUALIDADE DA ÁGUA SUBTERRÂNEA NA ÁREA URBANA DE PORTO VELHO – RONDÔNIA – BRASIL.

AVALIAÇÃO ESPACIAL DA QUALIDADE DA ÁGUA SUBTERRÂNEA NA ÁREA URBANA DE PORTO VELHO – RONDÔNIA – BRASIL
É.R.D.Rodrigues 1 ; J.P.Santos 1,2 ; A.S. Martins 1,2 ; W.R.Bastos 1,2 ; D.P.Carvalho 3 ; I.B.B.Holanda 3 ;
R.Almeida 4 & E.L.Nascimento 4 .
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade da água subterrânea, determinando a quantidade
de coliformes fecais e totais e parâmetros físico-químicos. A área de estudo compreende a cidade
de Porto Velho – Rondônia. O processo metodológico constitui-se de três etapas: coleta de
campo, análise de laboratório e análise estatística dos dados. Os parâmetros físico-químicos
foram realizados in loco. Criou-se um banco de dados editado nos programas ArcView Gis 3.2 e
Surfer 8.0. A maior cota no aqüífero é encontrada onde os níveis piezométricos são mais elevados
(49-110metros) influenciando o lençol freático na distribuição dos níveis bacteriológicos de
coliformes fecais (0≤15.400 NMP/100 mL) e totais (0≤21.300 NMP/100 mL) estando a maioria
dos valores fecais como totais acima dos limites permissíveis. As contribuições fluviais dos
lançamentos de resíduos domésticos e sólidos direcionados a córregos, valas e igarapés,
possibilitam a influência. A população da cidade de Porto Velho está sujeita ao consumo de água
contaminada nos poços, os riscos e a contaminação distribuem-se em todas as Zonas da cidade. A
possibilidade de doenças vinculadas à água existe e é justificável com o crescimento urbano e a
instalação das Hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau não existindo fatores estruturais de
saneamento e água potável.
PALAVRAS-CHAVE: 1. Coliformes Fecais e Totais 2. Qualidade da água 3. Poços
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
1
Laboratório de Biogeoquímica Ambiental Wolfgang C. Pfeiffer, Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR. BR 364, Km 9,5 –
Telefone: (xx69) 2182-2135 – Porto Velho/RO. http://www.biogeoquimica.unir.br
2 Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente-PGDRA.
3 Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR. BR 364, Km 9,5 – Porto Velho/RO
4
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – Programa de Pós Graduação em BiofísicaABSTRACT
The work objective was to evaluate the subterranean water quality in Porto Velho city –
Rondônia. The methodological process was constituted of three stages: Sample collect, laboratory
analysis and data statistical analysis. The physical-chemicals parameters were measured in loco,
after was produced a dada base using the Arc Gis 3.2 and Surfer 8.0 programs. The greater
contribution in water-bearing is where the piezometric levels are greater (49-110 meters), being
the fecal and total coliforms levels distribution influenced by the groundwater. The majority of
total (0≤21,300 NMP/100ml) and fecal (0≤15,400 NMP/100ml) coliforms values were above
permissible limits. The fluvial contributions of the domestic and solid residues launchings
directed to the streams, ditches and igarapés, make possible the influence. The Porto Velho
population is vulnerable to the contaminated water consumption in the well and the risks and the
contamination are in all city zones. There is the possibility of illnesses related to the water, being
justifiable due to the urban growth and to the Saint Antonio and Jirau hydroelectric installation,
not existing sanitation structural factors and drinking water.
Keywords: 1. Total and Fecal Coliforms 2. Water Quality 3. Wells
1. INTRODUÇÃO
Na década de 80, a ênfase nas pesquisas de água subterrânea nos países industrializados
mudou de problemas de avaliação quantitativa, isto é, de problemas de abastecimento d’água para
problemas de avaliação de controle da qualidade. Nos últimos 15 anos, além dos aspectos gerais
da qualidade das águas subterrâneas, as atenções voltaram-se para a sua contaminação por
resíduos industriais perigosos, chorumes de depósitos de lixo urbano, derramamentos de petróleo
e atividades agrícolas, como o uso de fertilizantes, pesticidas, herbicidas (HIDROGEOLOGIA,
2000).
A água foi o tema escolhido pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) para compor a
segunda parte do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH, 2000), apontando que mais de
um bilhão de pessoas não têm acesso à água potável no mundo, por viverem em regiões secas ou
pelo fato dos rios estarem poluídos.No Brasil, segundo este relatório os 20% mais ricos da população desfrutam de níveis de
acesso à água e a saneamento geralmente comparáveis ao de países ricos. Enquanto os 20% mais
pobres têm uma cobertura, tanto de água como de esgoto, inferior à do Vietnã.
De acordo com dados da CAERD (2001), no ano de 2000 somente 2% da população de
Rondônia era abastecida com água encanada. Quanto à capital deste estado, Porto Velho, apenas
48% da população possuía abastecimento com água tratada enquanto que 52% fazia a utilização
de água de poço tanto para o consumo humano como para o uso doméstico (CAERD, 2001).
Porto Velho sofre com a falta de infra-estrutura urbana adequada como rede de esgotos,
atendimento aos domicílios de água potável, tratamento de esgoto, drenagem, lençol freático
muito alto, ocupação desordenada, perspectiva de doenças hídricas e perspectivas de
desenvolvimento econômico-industrial. Tais fatores são determinantes para a possibilidade de
contaminação das águas subterrâneas.
Uma análise espacial das condições da qualidade da água subterrânea na cidade de Porto
Velho se faz necessário em nível local e geral, uma vez que através dessa avaliação poderá ser
verificada a complexidade do problema. Este estudo é importante na medida em que contribui
para a avaliação de qualidade da água subterrânea quanto aos parâmetros físico-químicos,
microbiológicos e de nutrientes inorgânicos, fundamentais para subsidiar a tomada de decisão do
Poder Público e melhorar a qualidade de vida da população da cidade de Porto Velho.2. MATERIAIS E MÉTODOS
Localização da Área de Estudo
Figura 1 – Localização da área de estudo evidenciando os pontos amostrais nas 5 zonas da cidade
de Porto Velho.
A área selecionada para este estudo localiza-se no Município de Porto Velho no Estado de
Rondônia na latitude sul com -08°45’43” e longitude a oeste de Greenwchi -63°54’14”, com uma
altitude de 85,2 metros. Abrange uma área de 34.209,5 Km 2 , localizando-se ao norte do Estado de
Rondônia (Figura 1).
O Município de Porto Velho encontra-se com população estimada pelo IBGE para o ano
de 2005 é de cerca de 373.917 habitantes (IBGE, 2002).
Georeferenciamento da Área
O georeferenciamento foi realizado utilizando coordenadas Geodésicas com maior
precisão no trabalho onde foram feitos levantamentos de dados marcando os pontos de
amostragem das áreas dos pontos amostrais. Com ponto georefenciado do DNPM
(Departamentos Nacional de Pesquisas Minerais) como referencial na cidade de Porto Velho,latitude 08o 44’ 24”,5607 e longitude 63o 54’ 09”,9076, com altitude 85,96 m . Utilizou-se
também as coordenadas geográficas do ponto na UNIR (Universidade Federal de Rondônia) para
calibrar os equipamentos de GPS e altímetros confeccionado em uma estrutura trapezial de 50 cm
de altura com base de 70 cm de aresta, coordenadas em UTM DATUM SAD 69 – Meridiano
Central – 63 graus W.MGPS -319 E=3966883,184m N=9023094,394m Alt.MSL 120,63m.
Para descarregar os dados coletados nos pontos amostrados no computador foi utilizando
o software GPS TRACKMAKER PRO versão 3.4 e os dados salvos em DXF para convertê-lo
em uma Planilha para elaboração do tratamento geoestatístico.
No processamento dos pontos coletados no GPS Geodésico foi utilizado o programa
Survey Project Manager obtendo valores diferenciados nas Zonas da cidade de Porto Velho,
sendo extraído as coordenadas geográficas e a altitude de cada ponto, adimitindo-se precisão
horizontal e vertical de até 0,3 metros mais 2 ppm (distância do ponto para a base) com um
intervalo de confiança de 95%.
Mapa Piezométrico
A obtenção dos mapas de isopiezas em curvas se baseia na medição em campo dos níveis
piezométricos (H) e respectivo translado e interpretação sobre mapas topográficos. As curvas
assim obtidas representam as equipotenciais da superfície piezométrica. Para interpretação de
mapas desta natureza, primeiro se definem os eixos de fluxo e suas direções traçando-se
perpendiculares de cada curva isopieza. Os principais eixos correspondem aos trajetos mais
curtos e simples das águas subterrâneas ( HIDROGEOLOGIA, 2000). As medidas em campo foram
realizadas considerando-se a cota do terreno e o nível da água no aqüíferoAnálise Bacteriológica
Os materiais utilizados para análise bacteriológica foram devidamente
esterilizados em autoclave e a manipulação dos materiais foram realizados dentro da capela de
fluxo laminar
Para análise bacteriológica a água foi coletada em garrafas de água mineral, onde a água
mineral fora descartada e a garrafa “rinsada” com a água do local antes das coletas de cada
amostra. As amostras foram armazenadas em caixa de isopor contendo gelo para manter a
preservação bacteriológica até a chegada ao laboratório de Biogeoquímica/UNIR.
No laboratório a análise se iniciou com a diluição de 100x, onde se pipetou 1,0 mL da
amostra aferindo a 100mL com água deionizada estéril (previamente autoclavada). Em seguida, a
amostra passou pelo processo de filtração através da membrana filtrante de acetato de celulose
quadriculada (Millipore) de 0,45μm de porosidade. Após a filtração, as membranas foram
colocadas sobre o meio de cultura chromocult (Produto Merck). Incubaram-se as placas de ágar
chromocult a 37oC por 24h, observando-se a presença de coliformes totais (colônias rosa/lilás) e
de coliformes fecais (E. coli) (colônias violetas/pretas), expressando-se o resultado em número
mais provável (NMP/100 mL). A partir da contagem destas colônias, calculou-se a densidade de
coliformes presentes na amostra, multiplicando-se pela diluição (100/mL), onde para se obter o
número de coliformes totais, somam-se coliformes fecais e coliformes não fecais (CETESB,
1987).
Delineamento Amostral
O desenho amostral da área foi elaborado a partir da divisão geopolítica do município de
Porto Velho que estabelece 5 setores, classificados por Zonas. Foram enfatizados principalmente
os bairros que são cortados por igarapés da cidade e de áreas de extensão urbana, consideradas
periféricas. Os pontos amostrais foram distribuídos nas 5 zonas de Porto Velho: Zonas 1, 2, 3, 4 e
5 com 33 pontos amostrados nas Zonas 1, 3, 4 e 5 e na Zona 2 com 34 pontos amostrados,perfazendo um total de 166 pontos coletados. Outro aspecto também considerado nas
amostragens foi o de selecionar as coletas nos poços nas proximidades dos igarapés.
Delineamento Experimental
O delineamento experimental foi determinado pelos níveis do lençol freático com a
direção do fluxo da água subterrânea e da altimetria com suas declividades, indicado com os
níveis piezométricos.
Foram coletadas 3 alíquotas de água de cada ponto amostral para quantificação dos níveis
bacteriológicos (coliformes fecais e totais. Os parâmetros limnológicos como temperatura da
água, condutividade elétrica, pH e oxigênio dissolvido foram medidos in loco em todos os
pontos.
Delineamento Espacial
Utilizou-se para o delineamento espacial o programa SURFER 8, criando um arquivo a
partir do mapa de coordenadas geográficas de latitude e longitude (XY), sendo Z as
concentrações dos parâmetros a serem analisados, trabalhando sempre com três variáveis.
Posteriormente foi criado um GRID a partir da planilha de dados mostrando as linhas de
contorno, o método da MINIMUM CURVATURE acionando posteriormente a CROSS
VALIDATE plotando o mapa gerado nas áreas.
Tratamento de Dados
Utilizou-se para o tratamento dos dados o programa ArcView Gis 3.2 com a confecção de
um banco de dados contendo informações físico-químicas-microbiológicas dos pontos amostrais.
Através do programa Surfer 8.0 foi criada uma malha 3D do mapa topográfico gerando-se um
mapa de contorno (isolinhas) para sobreposição com a superfície 3D, editando-se o “overlay”.
Exportando-se, posteriormente, para o ArcGis 9,2 e sobrepondo a malha urbana da cidade, sendo
determinado os níveis de suas concentrações espaciais e pontuais das amostras.3. RESULTADOS
Tabela 1 – Média e desvio padrão de altimetria, profundidade do poço da fossa, pH, OD,
condutividade elétrica e temperatura da água na cidade de Porto Velho.
ZONA
Alt.
Prof.
Poço para
OD
Cond.
Temp.
(m)
(m)
Fossa (m)
pH
(mg/L)
μs/cm
( o C)
1
81,4±14,2 5,99±5,96 17,8±9,3 4,96±0,59 3,19±1,55 22,6±37,2
28,4±0,7
2 97,3 ± 5,9 2,18±2,01 19,8±8,4 4,83±0,36 2,22±0,94 62,6±30,1 28,6±0,7
3 92,8±6,9 7,77±5,57 15,8±8,4 5,41±0,96 3,35±1,39 51,0±31,0 28,6±0,6
4 95,1±20,3 3,80±3,43 17,1±5,6 4,87±0,45 2,10±1,49 56,8±39,6 28,4±0,5
5 96,2±4,6 3,75±1,83 17,8±5,5 4,81±0,46 2,95±1,47 37,4±24,9 28,3±0,6
– –
CONAMA



6,0 – 9,5
N o .357
DP – Desvio Padrão
ALT – Altimetria
Prof – Profundidade do Poço
Dist P da F – Distância do poço em relação a fossa.
6,0>x
O pH em sua distribuição espacial nas 5 Zonas da cidade de Porto Velho (Tabela 1)
apresenta valores levemente ácidos na maioria das Zonas. Na Zona 1 a variação na água dos
poços foi entre 3,0 a 3,8, destacando o bairro Nacional que apresentou o valor mais baixo. A
Zona 3, representada pelos bairros Floresta, Cidade do Lobo, Conceição e Caladinho e Zona 5
nos bairros Ronaldo Aragão e Marcos Freire, registrou valores entre 5 e 6,8. O pH mais baixo foi
detectado no ponto 153 na Zona 5, bairro Nova Esperança, e o mais elevado no ponto 111, na
Zona 3 no Bairro Floresta.
Com valores entre 5 a 6,8 identifica-se na Zona 3 e 5 os níveis de levemente ácido a
neutro, demonstrado uma área de transição para pH levemente básico com maior intensidade (7.2
a 8.6) constatado principalmente na Zona 3, nos bairros Floresta e Cidade do Lobo, e Zona 5
bairro Marcos Freire.
As determinações de condutividade elétrica nas 5 Zonas da cidade de Porto Velho
apresentaram variações em seus resultados, sendo os maiores valores encontrados nas Zonas 2, 3
e 4 (Tabela 1). Na Zona 1, o ponto 25 localizado no bairro Triângulo, se identificou o menorvalor de condutividade dentre as 5 zonas estudadas, que corresponde a 0,32μs/cm. O valor mais
elevado foi na Zona 1, com concentração de 144,6μs/cm correspondendo ao ponto 29 no bairro
São Sebastião II.
Na Zona 2, o ponto 71 do bairro Alphaville, apresentou o menor valor, 13,1μs/cm, e o
maior valor foi no ponto 42 do bairro Nova Porto Velho, de 134,8 μs/cm. A Zona 3 com o ponto
98 do bairro São João Batista obteve-se o menor valor (15,7μs/cm) constatando-se com maior
valor registrado no ponto 127 do bairro Caladinho, 117,6μs/cm.
Na seqüência, a Zona 4 no ponto 94 do bairro Três Marias foi o que apresentou o menor valor
(12,4μs/cm) e o maior valor no ponto 129 do bairro JK1, 142,1 μs/cm. Os valores de
condutividade elétrica encontrados na Zona 5 variaram entre 9,8μs/cm, ponto148 do bairro Nova
Esperança, e 98,3μs/cm no ponto 165 no bairro Ronaldo Aragão
Figura 1 – Altimetria relacionada com a direção do lençol freático da cidade de Porto Velho.A altimetria (figura 1) mais elevada foi encontrada na Zona 5 com 96,18 metros e a mais
baixa localizada na Zona 1 com 81,45 metros.. Na Zona 3 a média foi de 7,77 metros e desvio
padrão de 5,57 metros; na Zona 2 a média com os níveis mais elevados de profundidade de 2,18
metros de média e desvio padrão de 2,01 metros.
As médias encontradas da distância dos poços em relação à fossa (tabela 1) variaram de
15,85 metros a 19,85 metros de distância. Os valores médios de pH encontram-se levemente
ácido com variação de 4,81 na Zona 5 a 5,41 na Zona 3; na Zona 2 de 3,6 aumentando na Zona 1
para 5,9. Esses valores médios estão abaixo dos níveis recomendados pela CONAMA No 357, de
17 de Março de 2005 de 6,0 a 9,5 para pH em água para consumo humano.
As determinações de condutividade elétrica apresentaram médias mais elevadas na Zona 2
com 62,62 μs/cm. As médias mais baixas foram determinadas na Zona 1 com valores de 22,62
μs/cm, a condutividade em suas variações como demonstradas em seu desvio padrão que na Zona
5 de 24,95 μs/cm a valores na Zona 4 de 39,65 μs/cm pode estar ligadas ao fluxo do lençol
freático como também da carga sólida de partículas na água dos poços ou de matéria orgânica.
A profundidade dos poços na Zona 2 encontra-se o valor mais elevado do lençol freático
atingindo 0,30 cm com uma variação a 8,5 metros. A maior profundidade alcança seus níveis
máximos na Zona 3 com variação de 0,80 cm a 19 metros.Figura 2 – Distribuição espacial dos níveis piezométricos na cidade de Porto Velho.
O nível piezométrico (figura 2) constata-se na Zona 2, nos bairros Nova Porto Velho 110
metros, Embratel 100 metros e Flodoaldo Pontes Pinto 104 metros, apresentando uma média de
96 metros. A Zona 3 apresenta médias menores com 85 metros e as maiores variações onde seus
valores reduzem seus níveis abruptamente, como exemplo disto temos no bairro Floresta 73
metros o menor valor da Zona 3 e na mesma Zona temos uma medida de 114 metros na Cidade
do Lobo onde se obtêm uma cota maior no aqüífero.
As menores médias do aqüífero são encontradas na Zona 1 com 76 metros, onde o nível
piezométrico é menor no bairro Areal apresentando um valor de 49 metros, sendo que na Zona 4
apresenta uma média em relação a seus valores de 91 metros, com valores que variam de 52
metros a 105 metros no bairro Teixeirão.
Na Zona 5 as médias alcançadas foram de 92 metros obtendo-se valor mínimo no bairro
Nova Esperança de 77 metros, sendo que no bairro Socialista onde encontra-se mais elevado
atingindoTabela 2 – Média e desvio padrão dos coliformes fecais e totais em NMP/100mL na água
subterrânea das 5 zonas da cidade de Porto Velho.
Zonas
Zona 1
CF
CT
1466
2660
3112
3161
212%
118%
0
0
Zona 2
CF
CT
2038
5258
2437
5108
119%
97%
0
0
Zona 3
CF
CT
2669
4884
3833
5016
143%
102%
0
0
Média
DP
CV
Ministério da
Saúde (2004)
DP – Desvio Padrão
CF – Coliformes Fecais
CT – Coliformes Totais
CV – Coeficiente de Variação
Ministério da Saúde, índice (0,00) NMP/100 mL
Zona 4
CF
CT
2115
4533
3831
5209
181%
114%
0
0
Zona 5
CF
CT
1406
3624
2897
3608
206%
99%
0
0
Os valores médios determinados para coliformes totais (tabela 2) tem seus maiores
valores na Zona 2 com a Zona 1 obtendo a menor média. O desvio padrão com o coeficiente de
variação revelam uma grande variabilidade nos pontos amostrados. Os maiores desvios padrões
são encontrados na Zona 3 para coliformes fecais e Zona 4 de coliformes totais.
Com o coeficiente de variação (Tabela 2) identificou-se que as concentrações tanto
coliformes fecais como totais determina-se uma elevada variação com dispersão dos resultados
dos poços.
Nas Zonas 2 e 1 determinou-se a amostragem com valores respectivamente menores para
coliformes fecais e maiores para coliformes totais. A Zona 2 e 1 encontra-se respectivamente
variação dos valores fecais de 119% Zona 2 e Zona 1 com 212% obtendo variações em suas
concentrações maiores para coliformes fecais de 97% Zona 2 e 118% na Zona 1. uma cota maior
de 100 metros.
A Zona 1, localizada no centro da cidade de Porto Velho, apresentou boa qualidade em
sua água em alguns poços amostrados: pontos 1 e 4 no bairro Nacional; ponto 12 na Vila Tupi;
pontos 17 e 19 no bairro Areal; ponto 28 do São Sebastião II e; pontos 31 e 32 no bairro Costa e
Silva.
As águas dos poços da Zona 2 que apresentaram ausência em coliformes fecais foram as
da casa 38 no bairro Nova Porto Velho; na amostra 65 do bairro Flodoaldo Pontes Pinto e;amostra 69 no Alphaville. Nesta Zona o maior índice de coliforme fecal ocorreu no ponto 48 do
bairro Agenor de Carvalho com 10.200 NMP/100 mL.
Na Zona 3 constatamos que os pontos 96, 114 e 118 do bairro Floresta; pontos 103 e 104
do bairro Nova Floresta e; ponto 105 do bairro São João Batista apresentaram ausência por
coliformes fecais. Também apresentou ausência em coliformes fecais na Zona 4 nos pontos 79 no
bairro Esperança da Comunidade, 85 no bairro Teixeirão e 88 e 89 no Tancredo Neves.
A Zona 5, considerada periférica, destaca-se pela ausência de coliformes fecais nas águas
dos pontos 141 e 153 do bairro Nova Esperança. Já as Zonas 2 e 3 juntas encontram-se com o
pior índice de coliformes fecais em suas águas subterrâneas nas áreas da cidade de Porto Velho.
Figura 3 – Distribuição espacial dos níveis de Coliformes Fecais nas águas subterrâneas na cidade
de Porto Velho.
A distribuição espacial dos níveis de coliformes fecais nas águas subterrâneas na cidade de
Porto Velho pode ser observada na figura 3. A Zona 1, no bairro Costa e Silva, apresentou
variações entre não detectável a 1000 NMP/100 mL. A Zona 3, no bairro Caladinho e na Zona 5,no bairro Nova Esperança, os níveis de coliformes fecais variaram de 1000 a 2000 NMP/100 mL,
com destaque para os bairros São Sebastião, Teixeirão e Ronaldo Aragão.
Níveis de coliformes fecais na faixa entre 2000 a 4000 NMP/100 mL estão distribuídos em
todas as Zonas da cidade de Porto Velho. As Zonas 2, 3 e 4 os valores para coliformes fecais
variaram de 4000 a 13000 NMP/100 mL. Valores elevados também foram encontrados nas Zonas
2, nos bairros Nova Porto Velho e Flodoaldo Pontes Pinto e, Zona 3 com níveis que variaram de
13000 a 15000 NMP/100 mL.
Os níveis mais elevados de coliformes fecais foram observados na Zona 1, no ponto 27 do
bairro São Sebastião II; na Zona 3 no bairro Caladinho; na Zona 4 no ponto 92 bairro Três Marias
e; na Zona 5 no ponto 159 no bairro Marcos Freire, onde todas estas amostras citadas obtiveram o
índice superior a 15.400 NMP/100 mL.
Figura 4 – Distribuição espacial dos níveis de Coliformes Totais nas águas subterrâneas da cidade
de Porto Velho.A figura 4 mostra a distribuição espacial dos níveis de coliformes totais na cidade de
Porto Velho onde encontramos valores mais elevados na Zona 1, nos bairros Nacional, com
variação de não detectado a 7.100 NMP/100 mL. No bairro Costa e Silva os valores variaram de
não detectado a 9.800 NMP/100 mL e São Sebastião II com variação de não detectado a 13.300
NMP/100 mL.
A Zona 2 apresentou nos bairros Nova Porto Velho as concentrações que variaram de não
detectável a 16.600 NMP/100 mL, seguidas do bairro Agenor de Carvalho de não detectável a
21.300 NMP/100 mL. Destaque para o bairro Flodoaldo Pontes Pinto com variação de 1.700 a
10.200 NMP/100 mL.
Na Zona 3 os valores foram também elevados abrangendo a maior área na presença de
nos bairros Floresta com índices de 200 a 12.000 NMP/100 mL; Nova Floresta de não detectável
a 10.700 NMP/100 mL; no bairro Conceição de não detectável a 15.100 NMP/100 mL; Areal
Alta Floresta de não detectável a 10.500 NMP/100 mL e; Caladinho de não detectável a 16.200
NMP/100 mL, todos estes localizados na Zona 3. Os valores quantificados na Zona 4 dos bairros
Tancredo Neves variaram de 100 a 18.400 NMP/100 mL; o bairro Três Marias variou de 300 a
15.400 NMP/100 mL; Lagoinha de não detectável a 13.800 NMP/100 mL e; JK I de não
detectável a 15.400 NMP/100 mL.
A Zona 5 não apresentou valores de forma geral superiores quando comparados com
outras Zonas, como a Zona 2 e a Zona 3, mas também apresentou índices elevados nos bairros
Nova Esperança, variando de não detectável a 10.000 NMP/100 mL e bairro Marcos Freire de
não detectável a 15.400 NMP/100 mL.
A figura 23 mostra o overlay construído com os dados de coliformes totais, profundidade e
direção do lençol freático nas 5 Zonas da cidade de Porto Velho. Verifica-se que nas altitudes
mais elevadas o índice de coliformes totais encontra-se mais elevado. Isto certamente deve-se aproximidade superficial do lençol freático, assim como também o direcionamento deste lençol
freático, possibilitando o contato do lençol freático com as fossas.
A média da presença de coliformes fecais na água dos poços tipo amazonas foram mais
elevadas na Zona 3 e mais baixas na Zona 5 (tabela 2). A tabela 6 evidencia, através do
coeficiente de variação, que em todas as 5 Zonas avaliadas os níveis tanto de coliformes fecais
como coliformes totais apresentaram uma grande variabilidade. A maior variabilidade dos dados
foram encontrados na Zona 1 tanto para coliformes fecais (CV=212%) como para coliformes
totais (CV=118%).
4. DISCUSSÃO
Uma das áreas da cidade de Porto Velho que apresentou índice mais elevado de impacto
na qualidade da água de seus poços foi a Zona 2, no bairro Nova Porto Velho. Um dos fatores
que colabora significativamente para o aumento da possibilidade de contaminação são os
igarapés que acabam virando depósito de lixo e de canalização de esgoto, possibilitando o
aumento e disponibilidade bacteriológica e de material orgânico.
Com a altimetria e a direção do lençol freático podemos constatar que a direção do lençol
freático acompanha as menores declividades voltando-se para as áreas mais baixas seu fluxo,
ficando evidenciado também que sua direção apresenta variações em pontos específicos da
cidade de Porto Velho nas Zonas 3 e 1.
A média da presença de coliformes fecais na água dos poços tipo amazonas obteve suas
medias das concentrações mais elevadas na Zona 3. As amostras analisadas para os coliformes
fecais e totais determinam que as maiores médias para coliformes fecais estão na Zona 3 e as
menores da Zona 5.
As águas do lençol freático dos poços amazonas da cidade de Porto Velho encontram-se
com altos índices de contaminação bacteriológica indicando a presença de coliformes fecais e decoliformes totais, ou seja, impróprias para o consumo humano e em alguns casos até para uso no
lazer.
Os fatores que determinam à contaminação nos bairros são o fluxo elevado do lençol
freático e sua direção, principalmente voltando-se para áreas mais baixas ocasionando um
impacto maior nos menores declividades e, conseqüentemente, aumentando potencialmente o
contágio da água, fato este que se associa principalmente a influência dos igarapés impactados
contribuindo com o aumento desta contaminação.
A contribuição para os níveis bacteriológicos elevados esta diretamente ligada às fossas e
sumidouros, sem critérios de segurança, com contribuições fluviais de lançamentos de resíduos
domésticos e sólidos nas proximidades dos poços ou dentro de igarapés e córregos.
Os níveis microbiológicos encontrados nesse estudo nas águas dos poços, em sua maioria
acima dos limites permissíveis recomendados pelo Ministério da Saúde, encontram-se
possivelmente ligados a distribuição dos níveis piezométricos.
A altimetria demonstrou ser um fator importante na análise e contribuição físico-química
de todas as análises amostradas, pois orienta a direção do fluxo da água subterrânea conforme
suas elevações juntamente com a densidade do solo.
Os poços amazonas em sua profundidade podem ter interferência de contribuições
domésticas com esgotos e de elevações do nível do lençol freático aumentando seus níveis,
possibilitando assim, sua contaminação.
A distância do poço para a fossa em alguns casos nos pontos coletados nas zonas da
cidade de Porto Velho não respeitam a distância mínima regulamentada pelo Ministério da Saúde
em seu manual que já previa no ano de 1999 ser de 15 metros. Apesar da média da distância estar
dentro dos limites permissíveis muitos poços encontram-se bem abaixo dos valores determinados
O valor de profundidade do lençol freático em seu primeiro nível encontra-se mais
profundo em relação às outras Zonas amostradas. Nos resultados obtidos verifica-se de umamaneira geral que o lençol freático está bastante elevado com os poços atingindo seu nível maior
de carga d’água, isto interfere possivelmente nos níveis de contaminação dos poços aumentando
a possibilidade de vetores, principalmente no raio de disseminação de bactérias em seu
arrastamento.
Fazem-se necessárias medidas de prioridade máxima em relação às águas subterrâneas da
cidade de Porto Velho ficando evidenciado que o PAC na cidade de Porto Velho determina suas
medidas para problemas de drenagem e de aumento de consumo de água pela população pela
empresa prestadora de serviço CAERD, e não aos fatores condutores de contaminação das águas
subterrâneas, ignorando completamente a água utilizada atualmente por grande parte da
população, mesmo as casas que encontram-se atualmente com o abastecimento da rede CAERD
utilizam-se da água subterrânea. Este estudo também aponta uma zona crítica nos bairros da Zona
2 Nova Porto Velho, Flodoaldo Pontes Pinto e Agenor de Carvalho e os bairros da Zona 3
Floresta e Nova Floresta, que merece atenção redobrada na implementação de saneamento pelo
PAC para a cidade de Porto Velho.
Os projetos propostos para a região indicam que a população da cidade de Porto Velho
deverá crescer significativamente, principalmente com a instalação das Usinas Hidrelétricas de
Santo Antônio e Jirau. Isto significa que se não for implementada uma política de infra-estrutura
adequada de saneamento básico na cidade os índices de doenças vinculadas a água cresceram de
forma geométrica.
5. AGRADECIMENTOS
CNPq/PPG-7 Fase II (Processos N°.556972/2005-8; 56934/2005-9)
Laboratório Biogeoquímica Ambiental Wolfgang C. Pfeiffer – UNIR.6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
CETESB. Agudo, E. G. 1987, Guia de coleta e preservação de amostras de água.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio ambiente, 2005, Resolução No 357, de 17 de Março.
COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTO DE RONDÔNIA-CAERD, 2001, .Diagnóstico dos
serviços de saneamento básico do Estado de Rondônia. Porto Velho.
ESRI and MAPIN SOFTWARE Arc GIS 9.2, 2007.
Disponível em: http://www. esri.com/
Data de acesso: 02/09/2007.
GOLDEN SOFTWARE, 2002, Inc SURFER 8.0 Contouring and 3 D Surface Mapping for
Scientists and Engineers. Colorado, USA.
HIDROGEOLOGIA CONCEITOS E APLICAÇÕES, 2000, CPRM, 2 edição, 3-5p.
IBGE, 2002, Anuário estatístico do município de Porto Velho.
MANUAL DE SANEAMENTO, 1999, Brasília, 14-15p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004, Secretaria de Vigilância em Saúde Coordenação-Geral de
Vigilância em Saúde Ambiental, Editora MS, Portaria MS no 518 de 25 Março.
NAÇÕES UNIDAS (ONU), 2000, RELATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
(RDH),
PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO, 2007.
Disponível em: http://www.brasil.gov.br/pac/
Data de acesso: 23/11/07